terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Uma Carta para o Mundo

2017.

Ano bom para causas ruins.

52 anos vividos, esperando 53 chegar.

Sempre em busca de algo que nunca chegou.

As coisas da vida, o ar, a luz, o fogo, a água, enfim, todos os elementos possíveis para compor a química da vida precisa, a vida perfeita.

Não preciso saber o que vai acontecer agora.

Enfarto, Câncer ou sei lá o quê, mas algo parecido deve acontecer.

As pessoas bonitas partem para algures de uma vida que dizem existir após essa.

Muitos falam de energias, chacras e até colônias espirituais.

Absurdo pensar assim, vivemos e por isso temos que saber que somos de carne e osso.

Os sentimentos tem um nome:

- Materialismo.

Ser feliz aqui na terra é ter dinheiro.

O dinheiro compra alegria, amores e contentamento.

Sem dinheiro, sem trabalho e sem vida.

Com dinheiro, se consegue até o impossível.

Somos capazes de tudo quando temos dinheiro de sobra.

São 05:30 da manhã, mais uma noite em claro, despejando lágrimas a todo momento, lavando os sentimentos, tentando regrar o que não se pode ter.

Amores só em pensamento, solidão assola e corrói, nada mais é possível, nada mais acontece, o sol nasce e a lua parte, as estrelas vão a outro lugar e fico aqui, esperando mais um dia terminar.

Percebo que a morte não quer vir, ainda devo ter pendências, devo ter muitos pecados, pois não tenho dinheiro, não tenho amigos(as), não tenho onde ir, nem pra onde ficar.

As nuvens trazem chuva, mês de janeiro, tudo fica úmido, a vida floresce, mas definho em dores e lamentações.

As coisas para mim não foram tão legais, desde o nascimento.

Pensei que um dia mudaria, acreditei no "feliz natal e feliz ano novo", acreditava em "papai noel" e no beijo doce de uma fada.

Acreditava em Duendes, Seres Elementais...

Acreditava em Deus e nessas coisas.

Mas minha vida foi assim:

- dois sorrisos e mil tristezas, um mundo que nunca era pra mim...

Existe um enigma que eu mesmo desvendei.

Existe uma lacuna que só eu sei como obstruí-la.

A alma é um líquido que se desfaz com a morte.

A minha respiração não é das melhores, meu coração insiste em bater, minha vida ainda quer viver...

Mas porquê isso?

Se não tenho nada a fazer aqui, porquê ainda vivo?

Fui destituído, demitido, subtraído, catalogado por traste.

As lacunas são tantas, não há como eliminar os pontos brancos, não há como repassar o que passou.

Minha vida estuda, escuta e trabalha e não consegue entender como isso pode acontecer.

O abismo já não é tão profundo, as dores já não incomodam mais, a luz, o som, o ar, a temperatura, já não fazem mais a diferença.

Os sentidos, as emoções não ficam como antes.

Incolor, indor, sem nada a sentir e sem nada a temer, nada mais me assusta, nada mais me incomoda, nada mais faz sentido.

Só aguardo o último de tudo e dormirei o sono eterno.

As equidades da vida jamais existiram, nada de igualdade, nada de nada, apenas a vida acontece.

O ser vivo vive conforme o que possui.

Somos devoradores e vorazes por poder e fama, a vida humilde não é interessante.

A simpatia da beleza é o que importa, a luz da igualdade nunca existiu, não consigo lutar, perdi a batalha, perdi a aposta, perdi a fé...

Julgado, Subjugado, aniquilado, serrilhado, arrebatado, a vida é o júri, sempre serei o réu, sempre perderei a aposta.

Um mundo que nunca me pertenceu, a vida que nunca quis ter...

A crueldade de quem nunca foi cruel, mas que maltrata pessoas.

Fui criado, educado e mesmo assim, nada mais além disso, o mundo rejeitou minha educação, penetrou em meu âmago de ser, eu mesmo, e não pude criar minhas perspectivas que nunca pude concretizar.

Os sonhos acabaram, nada mais acontecerá.

Se tudo é isso, jamais tive algo.

Da cor do ouro à reluzente prata, passei por tudo isso e não pude conter as injustiças à mim.

Não sou ruim, não sou bom e não sou ninguém...





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