domingo, 24 de junho de 2018

Uma canção para mim

Em dias de outrora, em outros lugares, no passado.

Não sei se consigo lembrar, mas sinto que deixei momentos felizes a realizar.

No final da estrada não vejo nenhum arco-íris, não vejo nenhum céu azul.

Caminhos que machucam, estrada de terra, ostentam a nobreza de todo meu sofrimento.

Não sinto nem desprezo, não sinto nem o que devia sentir.

A dor de dias que se foram, a dor que sinto agora, nada tenho a temer do que há por vir.

Sem rancor, sem muitas lembranças de dias felizes, sem Amor e nem ódio, um lapso de de todas as trilhas percorridas.

Um mundo sem mundo, sem ambição e nem cobiça, um mundo onde fui largado, deixado para trás.

A sobreposição é uma posição ao qual fui designado, palavras sem sentido é tudo que tenho a dizer.

O coração bate, as esmeraldas nunca tiveram valor, o bem maior nunca foi adquirido.

Não quero saber de nada, nem do que sou ou do que nunca consegui ser.

As rampas do sentimento, assoladas com o amargo da vida, não sei se estou indo ou voltando, não vou a lugar nenhum.

Viver é um ato sublime, mas de quem pode exercer tal dádiva.

Viver é para quem nasceu para viver.

Melancolia é tudo para quem não tem nada a perder.

Melancolia é sinônimo de coração desolado pelas trilhas do destino, onde nada ascende e tudo descende da maldade.

Destino é um fato, mas não entendo nada disso.

Se a esperança é a última que morre, então sou nada comparado com o pouco existencial de um ser vivente.

Nem sei se a razão é substrato de quem sempre teve sucesso.

O sucesso é resumido em perfeição, nunca fui perfeito.

A semântica aliena as diretrizes do passado e do presente.

Palavras bonitas que nunca foram ditas, coisas da vida que nunca pude ter.

Lutar não é bom, quando sempre a derrota impera.

As massas que atrelam à divindade para se ater ao que é perfeito, são elites dentro da elite e nada tem a ver.

O mundo não é nada, o que há depois do horizonte é que responde a tudo que não pudemos ver.

As raízes do inexplicável, algures além de nosso entendimento é que vai elucidar os sofrimentos, dores, e tudo que não compreendemos.

Estou aqui, esperando o pior carnal, material, a dor é muita, o sofrimento é constante, mas aguardo o final da estrada, aguardo com ansiedade o fim desta trilha.

A vida, quando dizimada, subtraída, eliminada, é a única coisa que sonho quando consigo dormir.

A "insuportabilidade" de tudo isso já não faz parte de nada para mim, só aguardo, espero e que venha logo, a dama que ninguém deseja a visita.

Adeus não é para mim, apenas espero, nada de adeus e essas coisas, somente fico a esperar...

Cante para mim, uma canção ao qual nunca há de esquecer, no meu nobre funeral, registre em vídeo, o momento da nobre despedida.

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